quinta-feira, 5 de outubro de 2017

AGRICULTURA FAMILIAR EM PATO BRANCO/PR: PRODUÇÃO, COMÉRCIO, REALIDADE E OUTRAS POSSIBILIDADES


  Por Leonardo Danielli
Acadêmico do Curso de Arquitetura e Urbanismo  - Faculdade Mater Dei

Forte país em desenvolvimento, reconhecido como exportador de produtos agropecuários, o Brasil gera em todo seu território atividades econômicas ligadas aos setores primário, secundário e terciário, os quais, juntos operam na circulação da moeda, e expressamente contribuem para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, garantindo uma economia sólida ao País.
Característico ao setor primário da economia Brasileira, a agropecuária sempre se destacou, desde o período inicial de colonização do Brasil pelos portugueses, sendo hoje reconhecida como importante base econômica de diversas sociedades. O fortalecimento constante do agronegócio no país representa uma concepção ideológica de desenvolvimento no âmbito da Agricultura Familiar, qual naturalmente está ligada a diversas áreas do desenvolvimento rural.
A Agricultura Familiar consiste em um meio de organização gerenciado por uma família onde o agricultor cultiva a terra com enfoque na produção de alimentos para próprio consumo, e para possível comercialização, e para isso, utiliza-se essencialmente de mão de obra familiar. Atualmente vem sendo a forma predominante de produção de alimentos tanto nos países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Esse modelo de cultivo é responsável pela produção de 70% dos alimentos que cotidianamente consumimos no Brasil, e movimentam cerca de 10% do (PIB) do País, desempenhando papel crucial na economia de um grande número de municípios, o que a torna indispensável para o desenvolvimento do Brasil.
Nacionalmente existe uma série de fatores que são fundamentais para o bom desenvolvimento desta modalidade de produção, sendo elas: condições agro ecológicas; características territoriais; ambiente político; acesso aos mercados; o acesso a terra e aos recursos naturais; acesso à tecnologia e serviços de extensão; o acesso ao financiamento; condições demográficas, econômicas e socioculturais; e ainda a disponibilidade de educação especializada; entre outros. (FAO, 2014).
Tomando como base o estado do Paraná, segundo dados estatísticos da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (SEAB), juntamente com o Departamento de Economia Rural (DERAL), o estado está entre os principais produtores agrícolas do País, sendo que as regiões Sul e Sudoeste representam respectivamente 66% e 4% da produção total do Paraná para a categoria de Olericultura no ano de 2015.
Segundo dados da Secretaria de Agricultura do município de Pato Branco, no ano de 2009 o número de propriedades rurais cadastradas perfazia um total de 1.185, sendo que no ano de 2009 totalizavam aproximadamente 1.755 agricultores. (PATO BRANCO, 2017).  Entretanto os números citados acima encontram-se em crescimento constante, sendo que no mês de dezembro do ano de 2013, em entrevista ao noticiário local, o atual Secretário de Agricultura do município, Clodomir Ascari, salientou que o número de propriedades rurais neste ano era de aproximadamente 1.400, representando um crescimento de aproximadamente 19% de 2009 á 2013. Clodomir expôs ainda que cerca de 90% representam a agricultura familiar do município. (VEJA PATO BRANCO, 2017).
Para o ano de 2015, a categoria de Olericultura movimentou um total de R$ 77.959.873 milhões de reais, correspondentes á produção agrícola de uma área de 1.916 hectares, rendendo 54.564 toneladas de alimentos para a categoria, representando 2% da produção total do estado no ano de 2015. (SEAB/DERAL, 2017). Entretanto mesmo que bastante expressivo, dentre os totais apresentados encontram-se embutidos a produção agropecuária como um total geral para esta categoria, não apresentando distinções entre pequeno, médio e grande produtor, assim como o demonstrativo não segrega dentre a categoria das Olerícolas o cultivo e a produção pertencentes à agricultura orgânica, qual vem ganhando destaque no cenário nacional.
A crítica que se faz sobre o método atual de produção da agricultura familiar no município pode ser retratada através do seguinte panorama: A pequena ou a inexistência de incentivos para o método de produção de alimentos que atendem ao principio da organicidade e da sustentabilidade ambiental já que este é um modelo atual tendencial de mercado, qual fica perceptível se observado pela ótica do desenvolvimento da agricultura urbana, qual busca ideais de cultivo de alimentos mais saudáveis e orgânicos.
Pode se destacar ainda que a falta de um local adequando arquitetonicamente para a comercialização da produção local orgânica deixa de impulsionar e contribuir com o acesso a estes produtos, dificultando o consumo, refletindo diretamente na qualidade de vida da população local. Vale ainda destacar que a inserção de um edifício projetado neste modelo “sustentável” atuaria como incentivo à produção e ao consumo desta tipologia de alimentos, colaborando para a extinção dos atravessadores e dando espaço para a consolidação da rede de próssumidores.
Por fim, a agricultura de base familiar é o modelo de produção que promove a estruturação de circuitos locais de produção e consumo, facilitando o acesso aos alimentos saudáveis e ainda frescos. Logo, Pato Branco/PR com seus resultados positivos da safra de Olericultura para o ano de 2015, atestam a forte produção agropecuária do município caracterizando como um fornecedor fundamental para o abastecimento de alimentos na cidade. Logo, a arquitetura de um novo espaço de comércio para esses produtos atuará diretamente na promoção do consumo da produção local e o incentivo á prática da agricultura sustentável.


Referências

FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura. Disponível em: <http://www.fao.org/family-farming-2014/home/what-is-family-farming/pt>>. Acessado em 18 de Setembro de 2016.

PATO BRANCO, Município De Pato Branco, Disponível em: <http://www.patobranco.pr.gov.br/o-municipio/> Acessado em 20 de Setembro de 2016.

SALVADOR, C. A. Olericultura: análise da conjuntura agropecuária. Londrina: SEAB - Secretaria do Estado da Agricultura e Abastecimento. 2017, 21 p.

VEJA PATO BRANCO. Zucci e Giacobo entregam equipamentos para agricultura familiar. Pato Branco - PR, p. 1-1, dez. 2013. Disponível em:<http://www.vejapatobranco.com.br/2013/12/zucchi-e-giacobo-entregam-equipamentos.html>. Acesso em: 24 Abr. 2017.

Para citar este artigo:

DANIELLI, L. AGRICULTURA FAMILIAR EM PATO BRANCO/PR: PRODUÇÃO, COMÉRCIO, REALIDADE E OUTRAS POSSIBILIDADES. Pato Branco: 2017. Disponível em: <https://agriculturaedesenvolvimento.blogspot.com.br/2017/10/agricultura-familiar-em-pato-brancopr.html>. Acesso em: 05 out. 2017. 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Vamos lá?

      O Simpósio de Agricultura Familiar “Por outras Agriculturas” é um evento de cunho social, acadêmico e científico, com intuito de discutir temas de interesse e relevância no contexto da Agricultura Familiar, contando para isso com temas de abrangência local, regional e nacional.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O que vi em 10 anos na Agronomia e o movimento das coisas: 10 desafios e oportunidades ou 10 sonhos?

Por Bruno Toribio Xavier e Cesar Leal Martins*




            A Agronomia é uma paixão na minha vida. Já se vão 10 anos de constante construção do conhecimento e muitas experiências de diálogo no campo com agricultores e agricultoras de todos os níveis socioeconômicos.

            Nestes anos e andanças Brasil a fora, o que mais me chama atenção até hoje, é a quase completa falta de discussão sobre as consequências da consecução de atividades relacionadas à Agronomia sem um acompanhamento técnico responsável. Falo isso, pois existem profissionais aos borbotões que topam qualquer negócio, esquecem a criticidade necessária e se deixam levar apenas pelo lado financeiro da coisa.

            Mesmo assim, para mim, não existe nada mais desafiador que a agricultura, em todas as suas formas. Entretanto, dentro desse mundo, dessa complexidade, apenas a Agroecologia, no contexto atual, parece oferecer uma oportunidade de construção do conhecimento realmente desafiador aos profissionais do campo. A Agroecologia nos convida a um olhar cuidadoso, à pesquisa, às conversas, observações e a novos e inúmeros “saber fazer”.

            Abaixo enumero 10 desafios/oportunidades/sonhos dessa, ainda, recente profissão para mim, à qual cuido para que não se transforme apenas em um mísero ganha pão:

1. Entender os desafios vindouros no campo da ampliação das demandas alimentares das populações “terceiro mundistas”;

2. Buscar novas formas de planejar as atividades das propriedades rurais de todos os tamanhos;

3. Pesquisar e reconhecer os avanços no uso de tecnologias não convencionais para o manejo dos elementos da biodiversidade que interagem com as plantas cultivadas;

4. Exercitar o resgate das Plantas Alimentícias Não Convencionais – PANC´s ou plantas tradicionais em todas as comunidades rurais, inclusive providenciando o registro dessas ações;

5. Buscar na literatura científica experiências exitosas de manejo não convencional dos elementos da biodiversidade que interagem com as plantas cultivadas, adaptando e providenciando formas adequadas de divulgação entre os agricultores e agricultoras;

6. Entender o solo como um organismo vivo e não apenas como suporte para o sistema radicular das plantas, cuidando da sua conservação e da vida diversa que o mesmo encerra;

7. Encarar a realidade de economizar a água, recurso natural finito (na sua forma prontamente utilizável pelos seres vivos, ou seja, com qualidade) em todas as atividades relacionadas à agricultura e pecuária;

8. Trabalhar com as pessoas que cultivam a terra de forma autônoma ou através de empregos formais de forma humanizada, oferecendo-lhes treinamentos a respeito do ambiente e da biodiversidade;

9. Incentivar a produção de alimentos livres de resíduos de agrotóxicos e adubos químicos, principalmente no que diz respeito aqueles que produzem legumes, verduras e frutas que são comercializadas nas feiras livres de todas as cidades;
10.  Dar orientação incessante a todos os produtores rurais no sentido de que se adequem as normas legais ambientais vigentes, respeitem as recomendações agronômicas relativas à aplicação de agrotóxicos e adubos químicos, e também que se preocupem com o bem estar dos seus funcionários;

11. Adequar a produção agrícola, tanto quanto possível, às demandas locais e regionais, de forma a minimizar a necessidade de transporte e diminuir o tempo de armazenagem, o que baratearia a comida e ajudaria a diminuir o impacto ambiental de corrente destas atividades.

E você colega, o que acrescentaria a esta lista?

*Médico Pediatra, contribuiu com o 11º desafio/oportunidade/sonho.