Por Leonardo Danielli
Acadêmico do Curso de Arquitetura e Urbanismo - Faculdade Mater Dei
Forte país em desenvolvimento, reconhecido como
exportador de produtos agropecuários, o Brasil gera em todo seu território
atividades econômicas ligadas aos setores primário, secundário e terciário, os
quais, juntos operam na circulação da moeda, e expressamente contribuem para o
crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, garantindo uma economia
sólida ao País.
Característico ao setor primário da economia
Brasileira, a agropecuária sempre se destacou, desde o período inicial de colonização
do Brasil pelos portugueses, sendo hoje reconhecida como importante base econômica
de diversas sociedades. O fortalecimento constante do agronegócio no país
representa uma concepção ideológica de desenvolvimento no âmbito da Agricultura
Familiar, qual naturalmente está ligada a diversas áreas do desenvolvimento
rural.
A Agricultura Familiar consiste em um meio de
organização gerenciado por uma família onde o agricultor cultiva a terra com enfoque
na produção de alimentos para próprio consumo, e para possível comercialização,
e para isso, utiliza-se essencialmente de mão de obra familiar. Atualmente vem sendo
a forma predominante de produção de alimentos tanto nos países em
desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Esse modelo de cultivo é
responsável pela produção de 70% dos alimentos que cotidianamente consumimos no
Brasil, e movimentam cerca de 10% do (PIB) do País, desempenhando papel crucial
na economia de um grande número de municípios, o que a torna indispensável para
o desenvolvimento do Brasil.
Nacionalmente
existe uma série de fatores que são fundamentais para o bom desenvolvimento desta
modalidade de produção, sendo elas: condições agro ecológicas; características
territoriais; ambiente político; acesso aos mercados; o acesso a terra e aos
recursos naturais; acesso à tecnologia e serviços de extensão; o acesso ao
financiamento; condições demográficas, econômicas e socioculturais; e ainda a
disponibilidade de educação especializada; entre outros. (FAO, 2014).
Tomando
como base o estado do Paraná, segundo dados estatísticos da Secretaria da
Agricultura e do Abastecimento (SEAB), juntamente com o Departamento de
Economia Rural (DERAL), o estado está entre os principais produtores agrícolas
do País, sendo que as regiões Sul e Sudoeste representam respectivamente 66% e
4% da produção total do Paraná para a categoria de Olericultura no ano de 2015.
Segundo dados da Secretaria de
Agricultura do município de Pato Branco, no ano de 2009 o número de
propriedades rurais cadastradas perfazia um total de 1.185, sendo que no ano de
2009 totalizavam aproximadamente 1.755 agricultores. (PATO BRANCO, 2017). Entretanto os números citados acima
encontram-se em crescimento constante, sendo que no mês de dezembro do ano de
2013, em entrevista ao noticiário local, o atual Secretário de Agricultura
do município, Clodomir Ascari, salientou que o número de propriedades rurais neste ano era
de aproximadamente 1.400, representando um crescimento de aproximadamente 19%
de 2009 á 2013. Clodomir expôs ainda que cerca de 90% representam a agricultura
familiar do município. (VEJA PATO BRANCO, 2017).
Para
o ano de 2015, a categoria de Olericultura movimentou um total de R$ 77.959.873
milhões de reais, correspondentes á produção agrícola de uma área de 1.916
hectares, rendendo 54.564 toneladas de alimentos para a categoria,
representando 2% da produção total do estado no ano de 2015. (SEAB/DERAL,
2017). Entretanto mesmo que bastante expressivo, dentre os totais apresentados
encontram-se embutidos a produção agropecuária como um total geral para esta
categoria, não apresentando distinções entre pequeno, médio e grande produtor, assim
como o demonstrativo não segrega dentre a categoria das Olerícolas o cultivo e
a produção pertencentes à agricultura orgânica, qual vem ganhando destaque no
cenário nacional.
A
crítica que se faz sobre o método atual de produção da agricultura familiar no
município pode ser retratada através do seguinte panorama: A pequena ou a
inexistência de incentivos para o método de produção de alimentos que atendem
ao principio da organicidade e da sustentabilidade ambiental já que este é um
modelo atual tendencial de mercado, qual fica perceptível se observado pela
ótica do desenvolvimento da agricultura urbana, qual busca ideais de cultivo de
alimentos mais saudáveis e orgânicos.
Pode
se destacar ainda que a falta de um local adequando arquitetonicamente para a
comercialização da produção local orgânica deixa de impulsionar e contribuir
com o acesso a estes produtos, dificultando o consumo, refletindo diretamente
na qualidade de vida da população local. Vale ainda destacar que a inserção de
um edifício projetado neste modelo “sustentável” atuaria como incentivo à
produção e ao consumo desta tipologia de alimentos, colaborando para a extinção
dos atravessadores e dando espaço para a consolidação da rede de próssumidores.
Por
fim, a agricultura de base familiar é o modelo de produção que promove a
estruturação de circuitos locais de produção e consumo, facilitando o acesso aos
alimentos saudáveis e ainda frescos. Logo, Pato Branco/PR com seus resultados
positivos da safra de Olericultura para o ano de 2015, atestam a forte produção
agropecuária do município caracterizando como um fornecedor fundamental para o
abastecimento de alimentos na cidade. Logo, a arquitetura de um novo espaço de
comércio para esses produtos atuará diretamente na promoção do consumo da
produção local e o incentivo á prática da agricultura sustentável.
Referências
FAO, Organização das Nações
Unidas para Alimentação e a Agricultura. Disponível em:
<http://www.fao.org/family-farming-2014/home/what-is-family-farming/pt>>.
Acessado em 18 de Setembro de 2016.
PATO BRANCO, Município De
Pato Branco, Disponível em:
<http://www.patobranco.pr.gov.br/o-municipio/> Acessado em 20 de Setembro
de 2016.
SALVADOR, C. A.
Olericultura: análise da conjuntura agropecuária. Londrina: SEAB - Secretaria
do Estado da Agricultura e Abastecimento. 2017, 21 p.
VEJA PATO BRANCO. Zucci e Giacobo entregam equipamentos para
agricultura familiar. Pato Branco - PR, p.
1-1, dez. 2013. Disponível
em:<http://www.vejapatobranco.com.br/2013/12/zucchi-e-giacobo-entregam-equipamentos.html>. Acesso em: 24 Abr.
2017.
Para citar este artigo:
DANIELLI, L. AGRICULTURA FAMILIAR EM PATO BRANCO/PR: PRODUÇÃO, COMÉRCIO, REALIDADE E OUTRAS POSSIBILIDADES. Pato Branco: 2017. Disponível em: <https://agriculturaedesenvolvimento.blogspot.com.br/2017/10/agricultura-familiar-em-pato-brancopr.html>. Acesso em: 05 out. 2017.

