sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O que vi em 10 anos na Agronomia e o movimento das coisas: 10 desafios e oportunidades ou 10 sonhos?

Por Bruno Toribio Xavier e Cesar Leal Martins*




            A Agronomia é uma paixão na minha vida. Já se vão 10 anos de constante construção do conhecimento e muitas experiências de diálogo no campo com agricultores e agricultoras de todos os níveis socioeconômicos.

            Nestes anos e andanças Brasil a fora, o que mais me chama atenção até hoje, é a quase completa falta de discussão sobre as consequências da consecução de atividades relacionadas à Agronomia sem um acompanhamento técnico responsável. Falo isso, pois existem profissionais aos borbotões que topam qualquer negócio, esquecem a criticidade necessária e se deixam levar apenas pelo lado financeiro da coisa.

            Mesmo assim, para mim, não existe nada mais desafiador que a agricultura, em todas as suas formas. Entretanto, dentro desse mundo, dessa complexidade, apenas a Agroecologia, no contexto atual, parece oferecer uma oportunidade de construção do conhecimento realmente desafiador aos profissionais do campo. A Agroecologia nos convida a um olhar cuidadoso, à pesquisa, às conversas, observações e a novos e inúmeros “saber fazer”.

            Abaixo enumero 10 desafios/oportunidades/sonhos dessa, ainda, recente profissão para mim, à qual cuido para que não se transforme apenas em um mísero ganha pão:

1. Entender os desafios vindouros no campo da ampliação das demandas alimentares das populações “terceiro mundistas”;

2. Buscar novas formas de planejar as atividades das propriedades rurais de todos os tamanhos;

3. Pesquisar e reconhecer os avanços no uso de tecnologias não convencionais para o manejo dos elementos da biodiversidade que interagem com as plantas cultivadas;

4. Exercitar o resgate das Plantas Alimentícias Não Convencionais – PANC´s ou plantas tradicionais em todas as comunidades rurais, inclusive providenciando o registro dessas ações;

5. Buscar na literatura científica experiências exitosas de manejo não convencional dos elementos da biodiversidade que interagem com as plantas cultivadas, adaptando e providenciando formas adequadas de divulgação entre os agricultores e agricultoras;

6. Entender o solo como um organismo vivo e não apenas como suporte para o sistema radicular das plantas, cuidando da sua conservação e da vida diversa que o mesmo encerra;

7. Encarar a realidade de economizar a água, recurso natural finito (na sua forma prontamente utilizável pelos seres vivos, ou seja, com qualidade) em todas as atividades relacionadas à agricultura e pecuária;

8. Trabalhar com as pessoas que cultivam a terra de forma autônoma ou através de empregos formais de forma humanizada, oferecendo-lhes treinamentos a respeito do ambiente e da biodiversidade;

9. Incentivar a produção de alimentos livres de resíduos de agrotóxicos e adubos químicos, principalmente no que diz respeito aqueles que produzem legumes, verduras e frutas que são comercializadas nas feiras livres de todas as cidades;
10.  Dar orientação incessante a todos os produtores rurais no sentido de que se adequem as normas legais ambientais vigentes, respeitem as recomendações agronômicas relativas à aplicação de agrotóxicos e adubos químicos, e também que se preocupem com o bem estar dos seus funcionários;

11. Adequar a produção agrícola, tanto quanto possível, às demandas locais e regionais, de forma a minimizar a necessidade de transporte e diminuir o tempo de armazenagem, o que baratearia a comida e ajudaria a diminuir o impacto ambiental de corrente destas atividades.

E você colega, o que acrescentaria a esta lista?

*Médico Pediatra, contribuiu com o 11º desafio/oportunidade/sonho.