sexta-feira, 20 de novembro de 2015

“Está muito mal queimado!”

Por Bruno Toribio Xavier
Eng. Agrônomo Consultor e Perito Ambiental


Foto: Bruno Toribio Xavier

“Está muito mal queimado!”. Foi com esta resposta que um agricultor complementou a pergunta que me fez anteriormente: “Vai tirar foto?”. E complementou: “Tem área mais bem queimada”. É sabido e notório o período de seca prolongada atual, o qual muitas regiões do interior do Brasil tem enfrentado com bastante dificuldade. Com o avançar dos meses do ano é chegada a hora do sertanejo preparar o solo para o plantio do milho e feijão. Preparar o solo, em muitas regiões, contempla um processo extremamente danoso ao solo: a queimada. Mesmo que a previsão de chuva não seja a melhor possível, faz-se necessário preparar o terreno, pois uma hora “Deus manda a chuva”.

Não entendo como após tantos anos de pesquisa e de programas governamentais e até mesmo dessa nova política de Assistência Técnica e Extensão Rural/ATER, tenhamos tantas queimadas associadas ao plantio de culturas agrícolas. Estou convencido que nós, técnicos, estamos fazendo muito pouco a este respeito. A continuar este cenário, teremos a diminuição das áreas disponíveis, com condições técnicas mínimas, para plantio, principalmente no Semi-árido brasileiro.

Poderia aqui discorrer sobre os malefícios das queimadas para o solo e o ambiente de uma forma geral, mas prefiro me ater a forma como iremos enfrentar esse problema, obviamente, construindo caminhos junto aos agricultores e agricultoras. Para mim, a ATER está imersa, ainda hoje, nos propósitos e métodos da “educação bancária”, indo permanentemente na contramão da possibilidade da construção coletiva do conhecimento e caminhos para superação deste cenário.

Amigos e amigas Agrônomos(as), Agroecólogos(as) e demais técnicos: O que está faltando para entendermos a Agricultura como processo diverso e integrado ao ambiente?