Por Bruno Toribio Xavier
“Está muito
mal queimado!”. Foi com esta resposta que um agricultor complementou a pergunta
que me fez anteriormente: “Vai tirar foto?”. E complementou: “Tem área mais bem
queimada”. É sabido e notório o período de seca prolongada atual, o qual muitas
regiões do interior do Brasil tem enfrentado com bastante dificuldade. Com o avançar dos meses do ano é
chegada a hora do sertanejo preparar o solo para o plantio do milho e feijão.
Preparar o solo, em muitas regiões, contempla um processo extremamente danoso
ao solo: a queimada. Mesmo que a previsão de chuva não seja a melhor possível,
faz-se necessário preparar o terreno, pois uma hora “Deus manda a chuva”.
Não entendo
como após tantos anos de pesquisa e de programas governamentais e até mesmo
dessa nova política de Assistência Técnica e Extensão Rural/ATER, tenhamos
tantas queimadas associadas ao plantio de culturas agrícolas. Estou convencido
que nós, técnicos, estamos fazendo muito pouco a este respeito. A continuar
este cenário, teremos a diminuição das áreas disponíveis, com condições técnicas
mínimas, para plantio, principalmente no Semi-árido brasileiro.
Poderia aqui
discorrer sobre os malefícios das queimadas para o solo e o ambiente de uma
forma geral, mas prefiro me ater a forma como iremos enfrentar esse problema,
obviamente, construindo caminhos junto aos agricultores e agricultoras. Para
mim, a ATER está imersa, ainda hoje, nos propósitos e métodos da “educação
bancária”, indo permanentemente na contramão da possibilidade da construção coletiva
do conhecimento e caminhos para superação deste cenário.
Amigos e
amigas Agrônomos(as), Agroecólogos(as) e demais técnicos: O que está faltando
para entendermos a Agricultura como processo diverso e integrado ao ambiente?

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