sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O Agrônomo deve se inserir na discussão sobre fontes alternativas de energia?

Por Bruno Toribio Xavier
Engº Agrº D.Sc. Solos e Nutrição de Plantas/UFV


Participei na última semana do Workshop Biogás: Alternativa de Energia Renovável Rural – Agroindustrial na cidade de Cascavel/PR. O tema chamou a atenção, pois me remeteu aos tempos de estudante de Agronomia, quando ao visitar um campo experimental do Serviço de Tecnologias Alternativas/SERTA no município pernambucano de Glória do Goitá, fui apresentado a um biodigestor. Até então, eu não fazia a mínima ideia do que aquilo significava, tampouco de suas possibilidades.

Falando de possibilidades, aqui no oeste e sudoeste do Estado do Paraná, o biogás configura-se como um grande potencial, devido à produção de animais de corte. Ocorre que para ampliar a sua capacidade de produção, o produtor precisa dar destinação adequada aos rejeitos provenientes dessas atividades. É justamente ai que, nós, Agrônomos podemos contribuir para o desenvolvimento da Agroenergia no nosso país.

A diversificação da nossa matriz energética contribui para uma economia rural sustentável, ao passo que deixa para trás o cenário desafiador que os agricultores e produtores rurais de uma forma geral encontraram no passado, cenário este que proporcionou um desgaste do solo e, por conseguinte a instalação de processos erosivos deste importante recurso natural.

Neste sentido, é importante que conheçamos o Decreto 5163/2014, o qual é justamente o marco legal das energias renováveis para atendermos nossos clientes com informação sempre atualizada e ampla.

Para finalizar, para além da produção de biogás e não menos importante, temos a possibilidade de trabalhar com a aplicação do digestato (produto final da biodigestão), mais conhecido como biofertilizante. E é aqui que mora toda a possibilidade de atuação do Agrônomo neste mercado promissor: precisamos conhecer esse produto final, pois não há mais espaço para amadorismos e riscos desnecessários. Assim como o manejo dos biodigestores requer o emprego de uma tecnologia constantemente em evolução, também é necessário caracterizar o digestato visando sua utilização na agricultura.

Por fim, gostaria de deixar uma fala do Pesquisador Airton Kunz (EMBRAPA Suínos) registrada durante uma das palestras do Workshop: “Não existe soluções e sim alternativas aplicáveis a diferentes realidades!”.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

“Está muito mal queimado!”

Por Bruno Toribio Xavier
Eng. Agrônomo Consultor e Perito Ambiental


Foto: Bruno Toribio Xavier

“Está muito mal queimado!”. Foi com esta resposta que um agricultor complementou a pergunta que me fez anteriormente: “Vai tirar foto?”. E complementou: “Tem área mais bem queimada”. É sabido e notório o período de seca prolongada atual, o qual muitas regiões do interior do Brasil tem enfrentado com bastante dificuldade. Com o avançar dos meses do ano é chegada a hora do sertanejo preparar o solo para o plantio do milho e feijão. Preparar o solo, em muitas regiões, contempla um processo extremamente danoso ao solo: a queimada. Mesmo que a previsão de chuva não seja a melhor possível, faz-se necessário preparar o terreno, pois uma hora “Deus manda a chuva”.

Não entendo como após tantos anos de pesquisa e de programas governamentais e até mesmo dessa nova política de Assistência Técnica e Extensão Rural/ATER, tenhamos tantas queimadas associadas ao plantio de culturas agrícolas. Estou convencido que nós, técnicos, estamos fazendo muito pouco a este respeito. A continuar este cenário, teremos a diminuição das áreas disponíveis, com condições técnicas mínimas, para plantio, principalmente no Semi-árido brasileiro.

Poderia aqui discorrer sobre os malefícios das queimadas para o solo e o ambiente de uma forma geral, mas prefiro me ater a forma como iremos enfrentar esse problema, obviamente, construindo caminhos junto aos agricultores e agricultoras. Para mim, a ATER está imersa, ainda hoje, nos propósitos e métodos da “educação bancária”, indo permanentemente na contramão da possibilidade da construção coletiva do conhecimento e caminhos para superação deste cenário.

Amigos e amigas Agrônomos(as), Agroecólogos(as) e demais técnicos: O que está faltando para entendermos a Agricultura como processo diverso e integrado ao ambiente?

sábado, 17 de outubro de 2015

Como atuar como Agrônomo fazendo diferente?


17 de outubro de 2015

Por Bruno Toribio Xavier

Foi com esta pergunta que iniciei a minha última palestra durante a 18ª Semana da Engenharia Agronômica das Faculdades Gammon em Paraguaçú Paulista/SP.

Trata-se de um tema desafiador, principalmente no atual cenário político/econômico. Acredito que para além das oportunidades mais conhecidas como, por exemplo, a atuação em empresas públicas e privadas, existem outras oportunidades. Considero este momento muito promissor para o Agrônomo que atua como consultor.

Agrônomos consultores podem atuar em diferentes empresas/propriedades dentro da área em que se especializou como consultores em determinada cultura, processo ou tecnologia ou podem atuar como Agentes de Desenvolvimento, oferecendo aos seus clientes uma visão ampla do agronegócio, incluindo formas de acesso ao crédito, gestão de pessoas, planejamento das atividades agrícolas, provisionamento técnico mediante demandas judiciais e supervisão agronômica da propriedade.

O termo Agentes de Desenvolvimento, surge em contraposição ao Agrônomo “Projetista” que atua junto aos Bancos ajudando os clientes na captação de recursos subsidiados de longo prazo. Atualmente, os empresários do setor agropecuário necessitam de mais habilidades de seus colaboradores diretos, ou seja, é preciso aumentar a produtividade também fora do campo (o que certamente melhora também os resultados em todas as esferas da empresa).

O novo é captar os recursos subsidiados e oferecer outros produtos aos clientes, ou seja, não ficar preso apenas a obtenção do “empréstimo”.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Precisamos (re)pensar os impactos causados pelos diferentes tipos de energia que usamos?

     A utilização das diversas fontes de energia sempre pautou o desenvolvimento da humanidade. Foi através do descobrimento dessas “forças da natureza” que aprendemos a modificar os outros elementos naturais que nos cercam ontem e hoje no ambiente.

       No começo da existência humana, as coisas e atividades da nossa espécie eram feitas de forma muito mais intuitiva e até mesmo a “descoberta” do fogo foi algo tão surpreendente quanto instigante para nossos antepassados. Com o passar do tempo, nós, humanos, fomos desenvolvendo a capacidade de extrair do ambiente aqueles recursos com os quais aprendemos a nos sustentarmos e também, de certa forma, a desenvolver formas de aproveitamento das outras formas de energia oferecidas pelo ambiente.


      Está aí, certamente, o grande desafio da nossa geração, pensar nas formas viáveis de aproveitamento das diversas formas de energia sem colocar em risco o equilíbrio ambiental, tampouco, nossa própria sobrevivência.