O que vi em 10 anos na Agronomia e o movimento das coisas: 10 desafios e
oportunidades ou 10 sonhos?
Por Bruno Toribio
Xavier e Cesar Leal Martins*
A Agronomia é uma paixão na minha vida. Já se vão 10 anos de
constante construção do conhecimento e muitas experiências de diálogo no campo
com agricultores e agricultoras de todos os níveis socioeconômicos.
Nestes anos
e andanças Brasil a fora, o que mais me chama atenção até hoje, é a quase
completa falta de discussão sobre as consequências da consecução de atividades
relacionadas à Agronomia sem um acompanhamento técnico responsável. Falo isso,
pois existem profissionais aos borbotões que topam qualquer negócio, esquecem a
criticidade necessária e se deixam levar apenas pelo lado financeiro da coisa.
Mesmo assim,
para mim, não existe nada mais desafiador que a agricultura, em todas as suas
formas. Entretanto, dentro desse mundo, dessa complexidade, apenas a
Agroecologia, no contexto atual, parece oferecer uma oportunidade de construção
do conhecimento realmente desafiador aos profissionais do campo. A Agroecologia
nos convida a um olhar cuidadoso, à pesquisa, às conversas, observações e a novos
e inúmeros “saber fazer”.
Abaixo
enumero 10 desafios/oportunidades/sonhos dessa, ainda, recente profissão para
mim, à qual cuido para que não se transforme apenas em um mísero ganha pão:
1. Entender os desafios vindouros no
campo da ampliação das demandas alimentares das populações “terceiro mundistas”;
2. Buscar novas formas de planejar as
atividades das propriedades rurais de todos os tamanhos;
3. Pesquisar e reconhecer os avanços no
uso de tecnologias não convencionais para o manejo dos elementos da
biodiversidade que interagem com as plantas cultivadas;
4. Exercitar o resgate das Plantas Alimentícias
Não Convencionais – PANC´s ou plantas tradicionais em todas as comunidades
rurais, inclusive providenciando o registro dessas ações;
5. Buscar na literatura científica
experiências exitosas de manejo não convencional dos elementos da biodiversidade
que interagem com as plantas cultivadas, adaptando e providenciando formas
adequadas de divulgação entre os agricultores e agricultoras;
6. Entender o solo como um organismo
vivo e não apenas como suporte para o sistema radicular das plantas, cuidando
da sua conservação e da vida diversa que o mesmo encerra;
7. Encarar a realidade de economizar a
água, recurso natural finito (na sua forma prontamente utilizável pelos seres
vivos, ou seja, com qualidade) em todas as atividades relacionadas à
agricultura e pecuária;
8. Trabalhar com as pessoas que cultivam
a terra de forma autônoma ou através de empregos formais de forma humanizada,
oferecendo-lhes treinamentos a respeito do ambiente e da biodiversidade;
9. Incentivar a produção de alimentos
livres de resíduos de agrotóxicos e adubos químicos, principalmente no que diz
respeito aqueles que produzem legumes, verduras e frutas que são comercializadas
nas feiras livres de todas as cidades;
10. Dar orientação incessante a todos os
produtores rurais no sentido de que se adequem as normas legais ambientais
vigentes, respeitem as recomendações agronômicas relativas à aplicação de
agrotóxicos e adubos químicos, e também que se preocupem com o bem estar dos
seus funcionários;
11. Adequar a produção agrícola, tanto quanto possível, às demandas locais e regionais, de forma a minimizar a necessidade de transporte e diminuir o tempo de armazenagem, o que baratearia a comida e ajudaria a diminuir o impacto ambiental de corrente destas atividades.
11. Adequar a produção agrícola, tanto quanto possível, às demandas locais e regionais, de forma a minimizar a necessidade de transporte e diminuir o tempo de armazenagem, o que baratearia a comida e ajudaria a diminuir o impacto ambiental de corrente destas atividades.
E você colega, o que acrescentaria a
esta lista?
*Médico Pediatra, contribuiu com o 11º desafio/oportunidade/sonho.
*Médico Pediatra, contribuiu com o 11º desafio/oportunidade/sonho.

Parabéns, Bruno! Quanta paixão pelo que faz! Esse é o grande lance da vida. Que esse encantamento seja uma constante em sua vida e reverbere em outras pessoas igualmente sensíveis! Abraços!
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