Por Bruno
Toribio Xavier, Engº Agrônomo
brunotoribio@gmail.com
Os Sistemas
Agroflorestais (SAF´s) tem sua origem registrada nas antigas civilizações,
principalmente entre os ameríndios, que praticavam e desenvolviam os SAF´s de
maneira bastante empírica. Entretanto é interessante registrar que estes povos praticantes
de SAF´s não exauriam os recursos naturais locais, apesar de trocarem
periodicamente as áreas de cultivo. Esta troca era devido a sua característica
nômade e também de sua consciência acerca da necessidade de recuperação de suas
áreas de produção.
No Brasil, após o “descobrimento”
houve mudanças nas formas de produzir alimentos e levando-se em consideração o
aumento da população e criação de novos mercados consumidores, surgiram também
problemas ambientais graves que tem ocupado grande parte do noticiário nos
últimos anos. Resgatar as formas tradicionais de produzir alimentos é
necessidade urgente, aliado a conservação e preservação, nos devidos casos, dos
recursos naturais. Neste sentido, outras formas de agricultura precisam
continuar emergindo e até mesmo (re)inventadas como, por exemplo, os SAF´s.
De acordo com
Dubois et al (1996), SAF´s se constituem em modalidade de uso da terra que
segue o princípio de rendimento sustentável, permitindo aumentar a
produtividade total, combinando simultaneamente ou de maneira escalonada,
cultivos agrícolas, com florestas e/ou animais, aplicando as práticas de manejo
compatíveis com os padrões culturais da população.
Desta forma, todas as etapas do
estabelecimento de SAF´s devem ser pautadas pela estrita observação dos padrões
culturais da população que será a principal peça na consecução e manutenção dos
sistemas implantados. Com relação ao estabelecimento de SAF´s e suas etapas,
quais sejam: escolha das espécies, preparo do solo, fertilização mineral e
orgânica, tratos culturais e manejo, deverão levar em conta tanto as questões
culturais como os aspectos técnicos, tentando sempre concilia-los contribuindo
para a construção de sistemas de produção de alimentos que possam suprir as
necessidades atuais e futuras da população sem deixar de lado os aspectos
sociais, ambientais e econômicos.
Vale ressaltar que, de acordo com
Nair (1990) os SAF´s podem ser classificados quanto a sua estrutura como:
Agrissilviculturas (culturas agrícolas e árvores); Silvipastoril (pastagem e/ou
animais e árvores) e Agrissilvipastoril (culturas agrícolas e/ou animais e
árvores). Esta distinção faz-se necessária devido a complexidade de relações
que podem ocorrer quando escolhemos deliberadamente por implantar cada um
desses sistemas. O ideal em termos de sustentabilidade é inserir componentes
vegetais e animais, buscando o fechamento do ciclo da produção de alimentos,
bem como dos subprodutos gerados a partir do cultivo de plantas e da criação de
animais.
O início de um SAF se dá com a
escolha do local, pois a partir daí teremos facilitado a escolha das espécies,
por exemplo. Escolher o local e realizar um planejamento é fundamental para o sucesso
de um SAF, pois na maioria das vezes, por questões culturais, os agricultores
acabam escolhendo as melhores áreas em termos de fertilidade e física do solo
para os cultivos agrícolas em forma de monocultura. As razões para este fato
são perfeitamente justificáveis, porém para esta forma de produzir alimentos,
buscando a interação das culturas agrícolas, árvores e animais, esta escolha da
área deverá obedecer novos critérios. É importante salientar que mesmo
trabalhos desenvolvidos dentro das universidades e institutos de pesquisa
sempre preconizaram a utilização das áreas com o maior número de limitações
para a silvicultura. Certamente estas informações contribuíram para a
construção deste cenário ainda dominante.
A contemporaneidade
nos obriga a pensar na diversidade e no contexto histórico e a agricultura não
pode ficar fora desse processo. Diferentes formas de produção de alimentos
encontram espaço nas sociedades e todas precisam cuidar dos recursos naturais,
visto o crescente controle social, seja através de leis e até mesmo da conscientização
da população. Os SAF´s, com a sua diversidade e organização contribuem muito
para a oferta de mais e melhores alimentos.