sábado, 17 de outubro de 2015

Como atuar como Agrônomo fazendo diferente?


17 de outubro de 2015

Por Bruno Toribio Xavier

Foi com esta pergunta que iniciei a minha última palestra durante a 18ª Semana da Engenharia Agronômica das Faculdades Gammon em Paraguaçú Paulista/SP.

Trata-se de um tema desafiador, principalmente no atual cenário político/econômico. Acredito que para além das oportunidades mais conhecidas como, por exemplo, a atuação em empresas públicas e privadas, existem outras oportunidades. Considero este momento muito promissor para o Agrônomo que atua como consultor.

Agrônomos consultores podem atuar em diferentes empresas/propriedades dentro da área em que se especializou como consultores em determinada cultura, processo ou tecnologia ou podem atuar como Agentes de Desenvolvimento, oferecendo aos seus clientes uma visão ampla do agronegócio, incluindo formas de acesso ao crédito, gestão de pessoas, planejamento das atividades agrícolas, provisionamento técnico mediante demandas judiciais e supervisão agronômica da propriedade.

O termo Agentes de Desenvolvimento, surge em contraposição ao Agrônomo “Projetista” que atua junto aos Bancos ajudando os clientes na captação de recursos subsidiados de longo prazo. Atualmente, os empresários do setor agropecuário necessitam de mais habilidades de seus colaboradores diretos, ou seja, é preciso aumentar a produtividade também fora do campo (o que certamente melhora também os resultados em todas as esferas da empresa).

O novo é captar os recursos subsidiados e oferecer outros produtos aos clientes, ou seja, não ficar preso apenas a obtenção do “empréstimo”.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Precisamos (re)pensar os impactos causados pelos diferentes tipos de energia que usamos?

     A utilização das diversas fontes de energia sempre pautou o desenvolvimento da humanidade. Foi através do descobrimento dessas “forças da natureza” que aprendemos a modificar os outros elementos naturais que nos cercam ontem e hoje no ambiente.

       No começo da existência humana, as coisas e atividades da nossa espécie eram feitas de forma muito mais intuitiva e até mesmo a “descoberta” do fogo foi algo tão surpreendente quanto instigante para nossos antepassados. Com o passar do tempo, nós, humanos, fomos desenvolvendo a capacidade de extrair do ambiente aqueles recursos com os quais aprendemos a nos sustentarmos e também, de certa forma, a desenvolver formas de aproveitamento das outras formas de energia oferecidas pelo ambiente.


      Está aí, certamente, o grande desafio da nossa geração, pensar nas formas viáveis de aproveitamento das diversas formas de energia sem colocar em risco o equilíbrio ambiental, tampouco, nossa própria sobrevivência.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

As credenciais da ciência influenciam o mercado profissional?*

Síntese (ou pequena impressão) do capítulo 10 do Livro:
Filosofia da Ciência: Introdução ao jogo e suas regras


Por Bruno Toribio Xavier


Dessa vez eu tentei fazer um paralelo do capítulo com a minha experiência, minhas observações do mercado profissional, vivido na prática. Na minha opinião, este capítulo põe as coisas em seu devido lugar. Ninguém é mais do que ninguém por ser cientista ou um grande executivo de quaisquer empresa nacional ou multinacional, ou seja, há espaço para que as pessoas comuns (e jovens) desenvolvam suas atividades (metodologias, processos e inovações tecnológicas) e também sintam orgulho disso. Entretanto, ao buscar a verdade dos fatos, o cientista, o Agrônomo, o Administrador, entre outros, acaba se diferenciando do senso comum, pois as pessoas do senso comum não buscam comprovação para suas observações.

A falsicabilidade é apresentada como uma credencial para uma teoria, se pode ser falso, está tudo bem, se não pode ser inconclusiva. Aliás a inconclusão deveria ser motivo de orgulho para os verdadeiros cientistas (e para os executivos também?), mas ao contrário do que deveria ser, eles a temem tanto que omitem seus resultados falsos ou os seus maiores fracassos. Esse é um aspecto importante deste capítulo, a questão da neutralidade da ciência.


1Título original do capítulo: “As credenciais da ciência”. Capítulo 10 do livro: ALVES, Rubem. Filosofia da Ciência: Introdução ao jogo e suas regras. 21° ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1995.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O senso comum e a ciência*

                                   Síntese (ou pequena impressão) do capítulo 1 do Livro:
                                     Filosofia da Ciência: Introdução ao jogo e suas regras

                                                                    
                                                                                                  Por Bruno Toribio Xavier



              Ler este livro nos desafia a assumir posições, pois como Agrônomos, Administradores, Pesquisadores e quaisquer outras funções nos deparamos com estas inquietações. O mercado e a sociedade como um todo espera de nós um posicionamento, apenas isso. 
             O primeiro capítulo do livro ressalta a imagem mais propalada, principalmente pela imprensa, do cientista. A imagem da autoridade, de quem sabe o que está falando e da importância de se escutar e obedecer a essas pessoas. Outro aspecto muito importante que é apontado pelo autor, nos mostra que quanto mais nos especializamos mais nos tornamos limitados no conhecimento geral das coisas e isso de certo modo é ruim. Decorrente da forma com que surgiu a ciência e sua dominação, alguém inventou, para colocar tudo em seu devido lugar, o termo “senso comum”. Tem sido através deste termo que os cientistas separam as ditas verdades absolutas do conhecimento popular ou conhecimento empírico. Muitas vezes a ciência se vale deste mesmo senso comum para o começo de uma investigação, mas constantemente não assume essa posição.




*Capítulo 1 do livro: ALVES, Rubem. Filosofia da Ciência: Introdução ao jogo e suas regras. 21° ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1995.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Educação ambiental da boca pra fora!

                

                                                                                                                           Por Bruno Toribio Xavier


      Educação ambiental não é para quem quer. Falar e fazer educação ambiental requer mais do que uma formação específica, requer sensibilidade com os elementos que constituem a BIODIVERSIDADE, inclusive o homem. Associar degradação ambiental com altas taxas de natalidade das mulheres nordestinas soa como ignorância e indelicadeza sem tamanho. Da mesma forma incriminar os produtores rurais por produzirem alimentos em tipos de agriculturas menos diversas também é incorreto.

      E o que dizer de alguém que sugere PRESERVAR incondicionalmente a BIODIVERSIDADE? É no mínimo chocante. Tenho escutado isso de muitos colegas que defendem a agricultura em bases agroecológicas, é um acinte.

     Todas as formas de Agricultura, quando bem desenvolvidas, contribuem muito para que estas falácias sejam desmontadas e traduzidas para uma aplicação prática diária de cada agricultor e agricultora. 


      Precisamos de uma Educação Ambiental integradora e não segregadora, ou seja, uma disciplina que pense o ambiente e nossa intervenção nele como um processo indissociável. Esta é uma prática que deve acontecer desde já, nas salas de aula ou no campo, mas sempre buscando a integração dos processos e minimização de impactos.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

ILPF + S!



Por Bruno Toribio Xavier
brunotoribio@gmail.com


        Surge mais uma tecnologia que promete potencializar a pecuária leiteira, a Integração Lavoura Pecuária Floresta. De fato é mesmo uma tecnologia promissora, que tem devolvido ao produtor rural o direito de sonhar com uma produção bem mais remunerada, uma vez que, com a devida orientação técnica tem-se a possibilidade de organizar sua propriedade e suas operações agrícolas, visando um lucro maior e por que não dizer a conservação dos recursos naturais. Com a participação da Embrapa Gado de Leite, estes produtores rurais estão cada vez mais imbuindo-se da idéia que precisam tornam-se Empresários do Setor Agropecuário.

        Tudo isso estaria perfeito se a base desta tecnologia não preconizasse em demasia, na nossa opinião, uma elevada dependência de insumos externos a propriedade, a saber: herbicidas, adubos químicos e mudas de espécies exóticas (na maioria dos casos eucalipto), sendo estas últimas componentes do F da sigla ILPF, ou seja, floresta. Não cabe aqui a crítica pela crítica ao eucalipto, mas sim a oportunidade de usarmos outras espécies, apenas isso.

         O aumento da produtividade das propriedades tem sido observado com a adoção desta tecnologia, mas poderia ser também um aumento na sustentabilidade desses agroecossistemas. A substituição dos herbicidas ou a sua correta utilização para o manejo das plantas espontâneas, o cultivo de espécies nativas em conjunto com o eucalipto e a adoção da homeopatia para controle dos carrapatos nos animais são algumas das sugestões que incorporariam o S de sustentabilidade na sigla desta tecnologia. 



     Pensar em sustentabilidade no desenvolvimento das atividades agropecuárias é mais do que uma necessidade. Da forma atual, a ILPF não é uma tecnologia ruim, apenas, em nossa opinião, precisa ter incorporadas em suas práticas, formas de diversificar ainda mais a propriedade para alcançar a pretensa sustentabilidade. Saldo positivo mesmo só na proteção do recurso natural solo e quando os Empresários pensam na qualidade do leite ao substituir os antibióticos e carrapaticidas pelos preparados homeopáticos.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sistemas Agroflorestais, Agricultura diversa e desenvolvimento: conexões em busca de mais e melhores alimentos

Por Bruno Toribio Xavier, Engº Agrônomo
 brunotoribio@gmail.com

         Os Sistemas Agroflorestais (SAF´s) tem sua origem registrada nas antigas civilizações, principalmente entre os ameríndios, que praticavam e desenvolviam os SAF´s de maneira bastante empírica. Entretanto é interessante registrar que estes povos praticantes de SAF´s não exauriam os recursos naturais locais, apesar de trocarem periodicamente as áreas de cultivo. Esta troca era devido a sua característica nômade e também de sua consciência acerca da necessidade de recuperação de suas áreas de produção.

No Brasil, após o “descobrimento” houve mudanças nas formas de produzir alimentos e levando-se em consideração o aumento da população e criação de novos mercados consumidores, surgiram também problemas ambientais graves que tem ocupado grande parte do noticiário nos últimos anos. Resgatar as formas tradicionais de produzir alimentos é necessidade urgente, aliado a conservação e preservação, nos devidos casos, dos recursos naturais. Neste sentido, outras formas de agricultura precisam continuar emergindo e até mesmo (re)inventadas como, por exemplo, os SAF´s.
         De acordo com Dubois et al (1996), SAF´s se constituem em modalidade de uso da terra que segue o princípio de rendimento sustentável, permitindo aumentar a produtividade total, combinando simultaneamente ou de maneira escalonada, cultivos agrícolas, com florestas e/ou animais, aplicando as práticas de manejo compatíveis com os padrões culturais da população.

Desta forma, todas as etapas do estabelecimento de SAF´s devem ser pautadas pela estrita observação dos padrões culturais da população que será a principal peça na consecução e manutenção dos sistemas implantados. Com relação ao estabelecimento de SAF´s e suas etapas, quais sejam: escolha das espécies, preparo do solo, fertilização mineral e orgânica, tratos culturais e manejo, deverão levar em conta tanto as questões culturais como os aspectos técnicos, tentando sempre concilia-los contribuindo para a construção de sistemas de produção de alimentos que possam suprir as necessidades atuais e futuras da população sem deixar de lado os aspectos sociais, ambientais e econômicos.

Vale ressaltar que, de acordo com Nair (1990) os SAF´s podem ser classificados quanto a sua estrutura como: Agrissilviculturas (culturas agrícolas e árvores); Silvipastoril (pastagem e/ou animais e árvores) e Agrissilvipastoril (culturas agrícolas e/ou animais e árvores). Esta distinção faz-se necessária devido a complexidade de relações que podem ocorrer quando escolhemos deliberadamente por implantar cada um desses sistemas. O ideal em termos de sustentabilidade é inserir componentes vegetais e animais, buscando o fechamento do ciclo da produção de alimentos, bem como dos subprodutos gerados a partir do cultivo de plantas e da criação de animais.

O início de um SAF se dá com a escolha do local, pois a partir daí teremos facilitado a escolha das espécies, por exemplo. Escolher o local e realizar um planejamento é fundamental para o sucesso de um SAF, pois na maioria das vezes, por questões culturais, os agricultores acabam escolhendo as melhores áreas em termos de fertilidade e física do solo para os cultivos agrícolas em forma de monocultura. As razões para este fato são perfeitamente justificáveis, porém para esta forma de produzir alimentos, buscando a interação das culturas agrícolas, árvores e animais, esta escolha da área deverá obedecer novos critérios. É importante salientar que mesmo trabalhos desenvolvidos dentro das universidades e institutos de pesquisa sempre preconizaram a utilização das áreas com o maior número de limitações para a silvicultura. Certamente estas informações contribuíram para a construção deste cenário ainda dominante.

       A contemporaneidade nos obriga a pensar na diversidade e no contexto histórico e a agricultura não pode ficar fora desse processo. Diferentes formas de produção de alimentos encontram espaço nas sociedades e todas precisam cuidar dos recursos naturais, visto o crescente controle social, seja através de leis e até mesmo da conscientização da população. Os SAF´s, com a sua diversidade e organização contribuem muito para a oferta de mais e melhores alimentos.