quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Sobre seleções, perfis e indicações


Por Bruno Toribio Xavier
Seleções

Já há algum tempo que venho percebendo algo estranho nessas seleções atuais. Mesmo que eu não tenha vivido os processos de dez ou mais anos atrás, penso que muita coisa deve ter mudado para melhor. O advento dos perfis profissionais online ajudam os recrutadores a selecionarem as “vítimas” antes do abate. Eles trabalham sempre com perfis muito bem definidos e competências desejáveis na ponta da língua. Esquecem que somos seres humanos limitados e que olhar pra baixo ou gesticular demasiadamente pode fazer parte de um descontrole emocional momentâneo. Enfim, essas regras de como se comportar nessas entrevistas enche a paciência de qualquer um. Eu me recuso a seguir essas regras. Eu sou um ser humano único, como cada um de nós e com características exclusivas. Se você fala a verdade é visto com maus olhos e se mente descaradamente pode ser descoberto, ou seja, uma piada! O pior de tudo é que muitas vezes colocam recrutadores na ponta do processo para filtrarem profissionais, os quais possuem escolaridade e experiência profissional muito menor do que os próprios candidatos, como isso pode dar certo? Tenho muitos exemplos de contatos de recrutadores com erros de português mais graves do que estes que cometo diariamente. Uma lástima.

Perfis e indicações


Pelo menos na minha área, começam a aparecer recrutadores buscando Mestres e Doutores para funções de Gerência em empreendimentos rurais. Entretanto na hora que os colegas fazem as entrevistas são taxados como muito acadêmicos! Mesmo aqueles que têm experiência de campo. Querem gestores com formação diferenciada, mas não compreendem a complexidade e abrangência de um curso de Pós-Graduação Stricto Sensu. Enfim, quando alguém vier me pedir indicação vou ser bem chato, pois não quero perder meu tempo indicando, expondo um colega para não ter nem uma resposta que se preze ao final do processo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O Agrônomo deve se inserir na discussão sobre fontes alternativas de energia?

Por Bruno Toribio Xavier
Engº Agrº D.Sc. Solos e Nutrição de Plantas/UFV


Participei na última semana do Workshop Biogás: Alternativa de Energia Renovável Rural – Agroindustrial na cidade de Cascavel/PR. O tema chamou a atenção, pois me remeteu aos tempos de estudante de Agronomia, quando ao visitar um campo experimental do Serviço de Tecnologias Alternativas/SERTA no município pernambucano de Glória do Goitá, fui apresentado a um biodigestor. Até então, eu não fazia a mínima ideia do que aquilo significava, tampouco de suas possibilidades.

Falando de possibilidades, aqui no oeste e sudoeste do Estado do Paraná, o biogás configura-se como um grande potencial, devido à produção de animais de corte. Ocorre que para ampliar a sua capacidade de produção, o produtor precisa dar destinação adequada aos rejeitos provenientes dessas atividades. É justamente ai que, nós, Agrônomos podemos contribuir para o desenvolvimento da Agroenergia no nosso país.

A diversificação da nossa matriz energética contribui para uma economia rural sustentável, ao passo que deixa para trás o cenário desafiador que os agricultores e produtores rurais de uma forma geral encontraram no passado, cenário este que proporcionou um desgaste do solo e, por conseguinte a instalação de processos erosivos deste importante recurso natural.

Neste sentido, é importante que conheçamos o Decreto 5163/2014, o qual é justamente o marco legal das energias renováveis para atendermos nossos clientes com informação sempre atualizada e ampla.

Para finalizar, para além da produção de biogás e não menos importante, temos a possibilidade de trabalhar com a aplicação do digestato (produto final da biodigestão), mais conhecido como biofertilizante. E é aqui que mora toda a possibilidade de atuação do Agrônomo neste mercado promissor: precisamos conhecer esse produto final, pois não há mais espaço para amadorismos e riscos desnecessários. Assim como o manejo dos biodigestores requer o emprego de uma tecnologia constantemente em evolução, também é necessário caracterizar o digestato visando sua utilização na agricultura.

Por fim, gostaria de deixar uma fala do Pesquisador Airton Kunz (EMBRAPA Suínos) registrada durante uma das palestras do Workshop: “Não existe soluções e sim alternativas aplicáveis a diferentes realidades!”.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

“Está muito mal queimado!”

Por Bruno Toribio Xavier
Eng. Agrônomo Consultor e Perito Ambiental


Foto: Bruno Toribio Xavier

“Está muito mal queimado!”. Foi com esta resposta que um agricultor complementou a pergunta que me fez anteriormente: “Vai tirar foto?”. E complementou: “Tem área mais bem queimada”. É sabido e notório o período de seca prolongada atual, o qual muitas regiões do interior do Brasil tem enfrentado com bastante dificuldade. Com o avançar dos meses do ano é chegada a hora do sertanejo preparar o solo para o plantio do milho e feijão. Preparar o solo, em muitas regiões, contempla um processo extremamente danoso ao solo: a queimada. Mesmo que a previsão de chuva não seja a melhor possível, faz-se necessário preparar o terreno, pois uma hora “Deus manda a chuva”.

Não entendo como após tantos anos de pesquisa e de programas governamentais e até mesmo dessa nova política de Assistência Técnica e Extensão Rural/ATER, tenhamos tantas queimadas associadas ao plantio de culturas agrícolas. Estou convencido que nós, técnicos, estamos fazendo muito pouco a este respeito. A continuar este cenário, teremos a diminuição das áreas disponíveis, com condições técnicas mínimas, para plantio, principalmente no Semi-árido brasileiro.

Poderia aqui discorrer sobre os malefícios das queimadas para o solo e o ambiente de uma forma geral, mas prefiro me ater a forma como iremos enfrentar esse problema, obviamente, construindo caminhos junto aos agricultores e agricultoras. Para mim, a ATER está imersa, ainda hoje, nos propósitos e métodos da “educação bancária”, indo permanentemente na contramão da possibilidade da construção coletiva do conhecimento e caminhos para superação deste cenário.

Amigos e amigas Agrônomos(as), Agroecólogos(as) e demais técnicos: O que está faltando para entendermos a Agricultura como processo diverso e integrado ao ambiente?

sábado, 17 de outubro de 2015

Como atuar como Agrônomo fazendo diferente?


17 de outubro de 2015

Por Bruno Toribio Xavier

Foi com esta pergunta que iniciei a minha última palestra durante a 18ª Semana da Engenharia Agronômica das Faculdades Gammon em Paraguaçú Paulista/SP.

Trata-se de um tema desafiador, principalmente no atual cenário político/econômico. Acredito que para além das oportunidades mais conhecidas como, por exemplo, a atuação em empresas públicas e privadas, existem outras oportunidades. Considero este momento muito promissor para o Agrônomo que atua como consultor.

Agrônomos consultores podem atuar em diferentes empresas/propriedades dentro da área em que se especializou como consultores em determinada cultura, processo ou tecnologia ou podem atuar como Agentes de Desenvolvimento, oferecendo aos seus clientes uma visão ampla do agronegócio, incluindo formas de acesso ao crédito, gestão de pessoas, planejamento das atividades agrícolas, provisionamento técnico mediante demandas judiciais e supervisão agronômica da propriedade.

O termo Agentes de Desenvolvimento, surge em contraposição ao Agrônomo “Projetista” que atua junto aos Bancos ajudando os clientes na captação de recursos subsidiados de longo prazo. Atualmente, os empresários do setor agropecuário necessitam de mais habilidades de seus colaboradores diretos, ou seja, é preciso aumentar a produtividade também fora do campo (o que certamente melhora também os resultados em todas as esferas da empresa).

O novo é captar os recursos subsidiados e oferecer outros produtos aos clientes, ou seja, não ficar preso apenas a obtenção do “empréstimo”.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Precisamos (re)pensar os impactos causados pelos diferentes tipos de energia que usamos?

     A utilização das diversas fontes de energia sempre pautou o desenvolvimento da humanidade. Foi através do descobrimento dessas “forças da natureza” que aprendemos a modificar os outros elementos naturais que nos cercam ontem e hoje no ambiente.

       No começo da existência humana, as coisas e atividades da nossa espécie eram feitas de forma muito mais intuitiva e até mesmo a “descoberta” do fogo foi algo tão surpreendente quanto instigante para nossos antepassados. Com o passar do tempo, nós, humanos, fomos desenvolvendo a capacidade de extrair do ambiente aqueles recursos com os quais aprendemos a nos sustentarmos e também, de certa forma, a desenvolver formas de aproveitamento das outras formas de energia oferecidas pelo ambiente.


      Está aí, certamente, o grande desafio da nossa geração, pensar nas formas viáveis de aproveitamento das diversas formas de energia sem colocar em risco o equilíbrio ambiental, tampouco, nossa própria sobrevivência.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

As credenciais da ciência influenciam o mercado profissional?*

Síntese (ou pequena impressão) do capítulo 10 do Livro:
Filosofia da Ciência: Introdução ao jogo e suas regras


Por Bruno Toribio Xavier


Dessa vez eu tentei fazer um paralelo do capítulo com a minha experiência, minhas observações do mercado profissional, vivido na prática. Na minha opinião, este capítulo põe as coisas em seu devido lugar. Ninguém é mais do que ninguém por ser cientista ou um grande executivo de quaisquer empresa nacional ou multinacional, ou seja, há espaço para que as pessoas comuns (e jovens) desenvolvam suas atividades (metodologias, processos e inovações tecnológicas) e também sintam orgulho disso. Entretanto, ao buscar a verdade dos fatos, o cientista, o Agrônomo, o Administrador, entre outros, acaba se diferenciando do senso comum, pois as pessoas do senso comum não buscam comprovação para suas observações.

A falsicabilidade é apresentada como uma credencial para uma teoria, se pode ser falso, está tudo bem, se não pode ser inconclusiva. Aliás a inconclusão deveria ser motivo de orgulho para os verdadeiros cientistas (e para os executivos também?), mas ao contrário do que deveria ser, eles a temem tanto que omitem seus resultados falsos ou os seus maiores fracassos. Esse é um aspecto importante deste capítulo, a questão da neutralidade da ciência.


1Título original do capítulo: “As credenciais da ciência”. Capítulo 10 do livro: ALVES, Rubem. Filosofia da Ciência: Introdução ao jogo e suas regras. 21° ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1995.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O senso comum e a ciência*

                                   Síntese (ou pequena impressão) do capítulo 1 do Livro:
                                     Filosofia da Ciência: Introdução ao jogo e suas regras

                                                                    
                                                                                                  Por Bruno Toribio Xavier



              Ler este livro nos desafia a assumir posições, pois como Agrônomos, Administradores, Pesquisadores e quaisquer outras funções nos deparamos com estas inquietações. O mercado e a sociedade como um todo espera de nós um posicionamento, apenas isso. 
             O primeiro capítulo do livro ressalta a imagem mais propalada, principalmente pela imprensa, do cientista. A imagem da autoridade, de quem sabe o que está falando e da importância de se escutar e obedecer a essas pessoas. Outro aspecto muito importante que é apontado pelo autor, nos mostra que quanto mais nos especializamos mais nos tornamos limitados no conhecimento geral das coisas e isso de certo modo é ruim. Decorrente da forma com que surgiu a ciência e sua dominação, alguém inventou, para colocar tudo em seu devido lugar, o termo “senso comum”. Tem sido através deste termo que os cientistas separam as ditas verdades absolutas do conhecimento popular ou conhecimento empírico. Muitas vezes a ciência se vale deste mesmo senso comum para o começo de uma investigação, mas constantemente não assume essa posição.




*Capítulo 1 do livro: ALVES, Rubem. Filosofia da Ciência: Introdução ao jogo e suas regras. 21° ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1995.